Olá, trago a vocês meu primeiro texto. Espero que gostem.
Na corda bamba
A arte de traduzir é muito antiga
e ainda assim pouco comentada. Em português, poucos são os teóricos encontrados
para termos uma perspectiva mais real dos encargos desta profissão tão
interessante. Traduzir geralmente é considerado como um trabalho
primordialmente de troca de palavras, mas na verdade vai muito além. Um
tradutor ao ter um texto em mão não irá simplesmente transportá-lo a outro
idioma, não, é algo muito maior.
O trabalho se trata de “levar
pela mão”, palavras de Paulo Rónai, o leitor a outro lado. Tornar possível para
o leitor ler e se emocionar ao longo de uma estória. Trazê-la o mais próximo de
sua realidade sem alterar a mensagem do original. Portanto, esta arte é mais do
que trocar palavras de língua e sim entendê-las e passá-las adiante, seja isto
por meio de uma explicação, ou uma fala mais elaborada. O importante é não
perder a essência, a característica do material.
E pensando nisto, é preciso
refletir sobre certo tipo de literatura, a fantástica, onde os elementos presentes
normalmente não fazem parte do imaginário comum, necessitando muito cuidado e
respeito pela versão original. Em casos como este, a figura do equilibrista me
parece adequada. Um equilibrista precisa atravessar a corda bamba sem cair,
simplesmente usando, aquilo que possui. Nesta mesma condição estamos nós, os
tradutores.
A cada nova linha, palavra,
conhece-se um mundo inteiramente novo repleto de mistérios e complicações. Cabe
ao tradutor andar na corda bamba sem deixar nada de lado. Então, nós somos nada mais que os
equilibristas, andando na corda bamba, que é o texto original, para alcançar o
outro lado, a versão traduzida. Precisa-se manter o equilibro e caminhar
adiante sem alterar nada essencial mantendo as intenções presentes no texto,
pois como se diz “O show deve continuar”.
Obs: O texto também foi publicado no Recanto das letras.
Sem comentários:
Enviar um comentário